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Crítica “Tenet”: filme entrega concepção brilhante mas que deixa a desejar

Tenet
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Tenet: dirigido e roteirizado por Christopher Nolan. Elenco: John David Washignton, Robert Pattinson, Elizabeth Debicki, Kenneth Branagh, Dimple Kapadia, Aaron Taylor-Johnson, Himesh Patel, Clémence Poésy, Michael Crane.

Christopher Nolan é um diretor e roteirista bem conhecido dos fãs de cinema. Mesmo para os que não são tão fãs certamente já se depararam com alguma de suas obras como por exemplo, Interstellar (2004), Dunkirk (2017), A Origem (2010), Amnésia (2000) sem mencionar a franquia de filmes do Batman.

Nesta nova produção, o longa se trata da história de um agente da CIA, conhecido como O Protagonista (Washington) que é recrutado por uma organização chamada “Tenet”, cuja missão é tentar evitar uma Terceira Guerra Mundial liderada pelo oligarca russo Andrei Sator (Branagh), o qual está em posse de uma tecnologia do futuro que faz inverter o tempo.  Nele, Nolan incorpora muitos dos elementos já trabalhados nesses filmes anteriores, especialmente a metafísica em Interstellar, os conceitos visuais de A Origem e o regresso temporal em Amnésia, ao trazer a experiência cinematográfica do “tempo” para seus espectadores como núcleo central de sua trama.

Neste sentido, o diretor trabalha e traz elementos, ou seja, mistérios e pontas soltas que depois são preenchidas por meio dessa viagem temporal dos personagens e são esclarecidas pouco a pouco, de modo a enaltecer uma conexão e até mesmo uma colisão entre passado e futuro no tempo presente. Aqui, o conceito de “tempo” realmente é bastante relativo tanto em sua estrutura e técnica cinematográfica, com efeitos visuais que revertem objetos e pessoas (muito bem feitos, por sinal) quanto em seu roteiro, uma vez que o incorpora no próprio tema central do enredo e da história de seus personagens.

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O mais interessante, é que o personagem de Washington é retratado mais ou menos na visão e na perspectiva do próprio espectador, o qual aos poucos, assim como nós, tenta compreender os eventos e os enigmas conforme eles se apresentam. E, por um lado, esse trabalho funciona muito bem até certo ponto, criando uma narrativa instigante muitas vezes.

Porém, infelizmente Tenet não é o melhor nem o mais memorável trabalho de Nolan. Ao mesmo tempo que temos aqui uma concepção brilhante, inteligente e ainda com muita ação, a entrega do produto deixa a desejar. A montagem e edição fazem um trabalho frenético que chega a ser cansativo, com tantas explicações e monólogos de personagens, e o longa não traz aquela imersão na experiência com o tempo ou mesmo com a experiência visual como, por exemplo, em Interstellar ou Dunkirk. O espectador fica longe de tudo, tentando digerir um compilado de informações e mesmo as cenas com mais carga emocional, como por exemplo, a relação tóxica entre Sator e Kat (Debicki) ou a amizade entre o protagonista e Neil (Pattinson) é superficial, pouco impactante ou cativante, apesar dos esforços do trabalho dos atores.

Nolan, portanto, parece deixar de lado o que ele sabe de fazer melhor e, ao invés disso, traz algo mais genérico e já visto um milhão de vezes. Ele entretém e pode satisfazer aqueles que procuram algo para se distrair, mas não traz a assinatura marcante de seu diretor, o que pode ser frustrante para outros.

Por fim, é irônico que se tenha uma obra, cujo conceito só funcionaria e só poderia ter sido feito pelas mãos de Nolan, já que já demonstrou ser sua área de expertise, mas, desta vez, nem ele mesmo conseguiu entregar algo que faça valer a pena por completo.

 

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