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Assista: Tela Quente (2/11) exibe obra-prima Corra! Crítica

Corra!
Corra!

Tela Quente desta segunda, dia 2 de novembro, vai exibir uma das obras-primas do cinema contemporâneo, o terror psicológico “Corra!”

A sessão Tela Quente desta segunda, 2 de novembro, vai exibir um dos filmes mais sensacionais destes últimos anos. O terror psicológico Corra! vai mexer com a cabeça de todos que assistirem. O filme começa logo após a novela A Força do Querer.

Imperdível.

A história

Chris é jovem negro que está prestes a conhecer a família de sua namorada caucasiana Rose. A princípio, ele acredita que o comportamento excessivamente amoroso por parte da família dela é uma tentativa de lidar com o relacionamento de Rose com um rapaz negro, mas, com o tempo, Chris percebe que a família esconde algo muito mais perturbador.

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Crítica

Corra! que teve sua estréia em fevereiro nos Estados Unidos já se tornou um dos filmes mais  queridinhos do primeiro semestre de 2017 e que fez o mundo prestar atenção no diretor Jordan Peele, que até então somente contribuiu como ator para longas e séries de televisão voltados para o gênero da comédia.

Este longa que marca sua estréia em longa-metragens, possui uma premissa simples e, a princípio, uma temática bastante familiar que vimos tantas vezes como Entrando Numa Fria (2000), O Pai da Noiva (1991) e até mesmo o recente desastre Tinha Que Ser Ele? (2017). E claro não posso deixar de mencionar a incrível afinidade que existe com o drama Adivinha Quem Vem Para Jantar (1967) que, assim como o clássico estrelado por Sidney Poitier, Corra! trata-se de um jovem negro e fotógrafo chamado Chris que vai passar o final de semana na casa dos pais de sua namorada, Rose, a qual vem de uma família branca, rica e tradicional. Com receio pelo encontro que irá introduzi-lo pela primeira vez à família, Chris pergunta se Rose havia mencionado o fato de ele ser negro, mas acreditando ser uma atitude ultrapassada e sem sentido, a amada afirma que tudo ficará bem e que seus pais são tranqüilos. Por óbvio, nada ocorre como esperado, já que Chris cada vez mais nota um comportamento estranho por parte de toda a sua família.

Esclareço primeiramente que, não deixe as semelhanças com outras obras os enganarem, pois Corra! contraria todas as nossas expectativas em relação ao que já fora trabalhado com o tema no passado e traz um frescor para explorar o tema do racismo de forma diferente e instigante. Este longa vai te fazer refletir acerca do preconceito velado que é tão presente na sociedade e tão presente no cotidiano, como o fato de se aproximar de um negro afirmando que votaria novamente em Obama ou que gosta e conhece Tiger Woods por exemplo como uma forma de fazer amizade e se auto-afirmar como uma pessoa nada racista, quando de fato está sendo. Dessa forma, desconstituindo o ambiente e a imagem da “família harmoniosa e perfeita do subúrbio americano”, o filme para tanto lida com situações praticamente surreais, mas que se tratam de verdades escondidas acerca do racismo em forma de sátira. E quando rimos dos momentos cômicos que vemos em tela, também nos sentimos certo grau de incômodo em relação às atitudes que sabemos são costumeiras e desnecessárias. Peele, portanto, incorpora um tipo de racismo que reflete perfeitamente a atualidade, pois ao mesmo tempo em que vemos com maus olhos qualquer pessoa preconceituosa, podemos ter certas atitudes (mesmo inconsciente) que reafirmam o mesmo preconceito. É uma forma de denunciar o tradicionalismo e as convenções tão enraizados no mundo. E não digo somente em relação ao negro, mas esse sintoma pode ser igualmente aplicado à homoafetividade, religião, mulher, machismo entre outros.

Com alguns personagens um pouco caricatos como Jeremy, o irmão de Rose, que parece ter participado do filme Laranja Mecânica, pela semelhança de sua sociopatia com o personagem do clássico de Kubrick, temos também o melhor amigo de Chris, o carismático segurança de aeroporto no departamento de imigração Rod Williams, o maior responsável por trazer o alívio cômico da trama. Por certo aqui se transmite na tradicional comédia pastelão norte-americana, mas sem clichês ou piadas forçadas, o amigo incorpora mais ou menos a reação (do ponto de vista do humor, é claro) diante das coisas estranhas que o protagonista testemunha e relata, em um timing perfeito sem perder ou se distanciar nenhuma vez da tensão.

O trabalho do estreante diretor já se revela maravilhoso pela escolha de enquadramentos e ângulos, a fim de desenvolver o ambiente de suspense e terror. Alguns leves planos holandeses (ângulos tortos) e fechados concentrados nas reações dos personagens imprimem perfeitamente a sensação de claustrofobia e paranóia ao lugar onde Chris se encontra e das pessoas com quem ele interage. A existência de muitos quadros fixos se presta justamente para nos forçar a enfrentar e a refletir, assim como causar no espectador um imenso desconforto em relação às situações apresentadas. A narrativa, por sua vez, é conduzida em um ritmo incrível e bem pensado a cada movimento, com vários plot twists surpreendentes baseado em pistas que posteriormente são juntadas ou desmitificadas e ao final conferem mais sentido. Porque nada é acaso, mesmo quando aprendemos que alguns pontos da casa da família estão em “renovação”; quando os pais de Rose se apresentam como um neurocirurgião e uma psiquiatra; quando Rose afirma que é seu primeiro namorado negro; quando a família se demonstra demasiado amistosa e interessada no protagonista ou; até mesmo a profissão de Chris, anteriormente mencionada, que exige o exercício da visão como um complemento ao interesse de um cego dono de galeria que reconhece e admira seu trabalho.

Corra! é, em suma, uma das maiores surpresas do ano e confere um fôlego em meio a tantos filmes pretensiosos e medianos do mesmo gênero. É uma experiência obrigatória que nos faz repensar nas nossas próprias condutas.

 

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