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Análise: o Oscar em Tempos de Pandemia

Bela Vingança
Bela Vingança

Oscar: “A cerimônia do próximo domingo deverá, assim como foi no Globo de Ouro, ser totalmente diferente de tudo o que já foi visto em cerimônias anteriores: provavelmente sem plateia ou com algo extremamente limitado”

É inegável o fato de que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas – a responsável pela organização da premiação do Oscar – é, entre outras mazelas, machista, racista e homofóbica.

Exemplos que comprovam essa minha afirmação inicial? São vários.

O Oscar existe desde o final da década de 1920 e, somente em 2010, uma mulher ganhou na categoria Melhor Direção, que foi Kathryn Bigelow, pelo filme The Hurt Locker (no Brasil, Guerra ao Terror).

Em 2006, Brokeback Mountain recebeu o maior número de indicações. Ganhou Melhor Direção, para Ang Lee, Melhor Trilha Sonora e Melhor Roteiro Adaptado. Era o favorito para o prêmio principal. Perdeu Melhor Filme para o apenas bom Crash. Detalhe: Brokeback Mountain contava a história de amor entre dois cowboys.

Somente em 2001 uma atriz preta ganhou o Oscar de Melhor Atriz Principal, que foi Halle Berry – a Tempestade da serie de filme X-Men -, pelo filme Monter’s  Ball (A Última Ceia, título idiota aqui no Brasil).

E por aí vai…

Por outro lado, a Academia não é burra e, mesmo num claro contragosto, foi procurando se adequar a toda diversidade que existe no planeta.

Um espaço maior vem sido dado às mulheres, à comunidade cinematográfica negra, e aos filmes que são, hoje, considerados filmes internacionais, não mais recebendo a nomenclatura de filmes estrangeiros.

Parasita, por exemplo, que não é um filme americano – é uma produção sul-coreana – ganhou as principais categorias, no ano passado. Neste ano, temos Minari, que é uma produção americana, mas praticamente toda falada em coreano, que recebeu várias indicações, mas que talvez não ganhe tanto prêmio como Parasita ganhou. Minari não levará direção, pois Melhor Direção irá, acertadamente, para Chloé Zhao, do superestimado Nomadland, muito menos levará Melhor Filme, já que, apesar da pandemia, temos títulos tão bons quanto ou, até, melhores que Minari. Contudo, é quase certa a vitória de Yuh-Jung Youn, uma maravilhosa atriz, que faz a avó nesse filme. Minha torcida vai para Glenn Close, irreconhecível em Era Uma Vez Um Sonho, como avó do protagonista. Contudo, o filme não ajuda tanto e creio que a Academia, que deve um Oscar a Glenn desde a década de 80, desde os tempos de Atração Fatal e Ligações Perigosas, não deve dar um Oscar de coadjuvante a ela: deve esperar um pouco mais, para premiá-la na categoria de atriz principal.

Aqui um adendo sobre Minari: no Globo de Ouro, ele não recebeu indicação para Melhor Filme Dramático e, sim, para Melhor Filme Estrangeiro. Ganhou nesta categoria.

Ainda sobre a categoria de Atriz Coadjuvante, não acredito que haja espaço para as outras atrizes, apesar de todas estarem muito bem nos seus respectivos papéis. Amanda Seyfried, por exemplo, que no final de 2020 parecia que ia despontar, perdeu força total, assim como o filme pelo qual ela concorre: Mank. Tecnicamente perfeito, Mank não deve sair da premiação com muitos prêmios. Provavelmente, o de Fotografia (torço por isso, pois a fotografia dele é muito linda e perfeita) e, talvez, trilha sonora. Nas outras categorias, não: há candidatos mais merecedores que Mank!

E ao falar das outras categorias, devo abrir espaço para o excepcional Bela Vingança.

Que filme! Que roteiro original e que atuação de Carey Mulligan!

Por mais que todas as outras candidatas à Melhor Atriz estejam divinas – todas, sem exceção – seria muito bom ver Bela Vingança ganhando, pelo menos, o Oscar de Melhor Atriz e Roteiro Original. Apesar de eu estar, no que se refere ao roteiro original, bastante dividido, pois amo o roteiro de Os Sete de Chicago!

Os 7 de Chicago

Até porque Os Sete de Chicago é o meu favorito para a categoria de Melhor Filme, mesmo não tendo sido indicado à Direção. Esse filme de Aaron Sokin é aquela obra clássica que nós gostamos de ver: um drama de tribunal, baseado num caso real, roteiro (original) perfeito, direção segura, primorosa, uma edição digna de receber todos os prêmios (deve ganhar o Oscar de Montagem), trilha sonora perfeita (minha favorita ao prêmio) e, as cerejas do bolo, todas as atuações – todas! – sem defeito alguma. Daí a grande possibilidade de Sacha Baron Cohen levar a estatueta de Melhor Ator Coadjuvante. Torço por ele. Porém, confesso que seria muito bom ver um veterano como Paul Raci sair com o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante, já que ele é uma das melhores atrações de The Sound of Metal.

Mas… Tanto Sacha quanto Paul têm, no caminho, o maravilho Daniel Kaluuya, o mesmo do trhiller Corra!, que rouba todas as cenas em Judas e o Messias Negro. Ele deve ganhar.

Sobre a categoria Melhor Ator, acredito que a Academia deve fazer uma premiação póstuma a Chadwick Boseman, de A Voz Suprema do Blues. Anthony Hopkins nos emociona demais em The Father, mas como não dar o Oscar à atuação visceral de Chadwick e seu personagem tão atormentado neste filme no qual temos, também, a linda Viola Davis? Nesta categoria, ele é meu favorito.

A cerimônia do próximo domingo deverá, assim como foi no Globo de Ouro, ser totalmente diferente de tudo o que já foi visto em cerimônias anteriores: provavelmente sem plateia ou com algo extremamente limitado, talvez num tempo mais curto… Ainda não há informações tão certas (pelo menos, até o momento em que escrevo esse texto).

A pandemia persiste, foram muitos os títulos não lançados nos cinemas, pois foram vários os cinemas que estavam (e, em muitos lugares, ainda estão fechados), muitas especulações se teriam ou não as premiações cinematográficas anuais. O fato é que, mesmo com a pandemia, teremos mais uma (esperada) cerimônia do Oscar, e a Academia – independente do formato, ou formatos, decidido(s) – parece estar mais atenta ao contexto cinematográfico que ocorre dentro e fora dos Estados Unidos e, mais do que nunca, aceitando (de bom grado ou não, mas aceitando) a diversidade.

Que tenhamos, nas próximas cerimônias do Oscar, mais mulheres concorrendo – e ganhando – e mais pretos e pretas sendo indicados e indicadas, que o Oscar continue nesse processo de abrir espaço, e valorizar as produções internacionais, que a Academia assuma que existem pessoas lgbtqia+ que fazem filmes, nas mais variadas funções, e que devem ser reconhecidas e indicadas e, se merecerem, que sejam vencedoras… Que o Oscar consiga, na verdade, ser ainda mais justo e, se não for pedir muito, mais humano.

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