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Crítica: Tempo, de M. Night Shyamalan

Tempo, de M. Night Shyamalan
Tempo, de M. Night Shyamalan

Dirigido e roteirizado por M. Night Shyamalan. Elenco com: Gael García Bernal, Vicky Krieps, Rufus Sewell, Alex Wolff, Nikki Amuka-Bird

Night Shyamalan, o diretor responsável pelos grandes filmes assustadores e intrigantes como Vidro (2019), O Sexto Sentido (1991), A Dama na Água (2006) chega com mais uma nova produção chamada Tempo. Neste longa, uma família passa as férias em um resort de luxo, mas quando decidem visitar uma praia paradisíaca e isolada próxima ao hotel, eles descobrem rapidamente que todos eles estão envelhecendo e inevitavelmente falecendo em um único dia, sem aparentes explicações.

Por um lado, há algumas escolhas muito fantásticas e pertinentes de Shyamalan para a construção narrativa deste filme. O fato de termos que lidar com a velhice, os eventos imprevisíveis que a vida nos traz, o instinto de sobrevivência que nos desperta nos momentos de perigo ou até mesmo a aceitação do nosso destino.

Tudo isso é abordado e coloca em xeque todas as nossas escolhas que fazemos quando em vida e, ao mesmo tempo, nos fazem refletir sobre a nossa própria existência. Há um claro ângulo filosófico por trás das situações que os personagens enfrentam, e Shyamalan, para tanto, nos imerge numa experiência cinematográfica muito rica por meio da sua técnica. Com o seu diretor de fotografia, Mike Gioulakis, incríveis momentos são criados, como por exemplo, o aprisionamento dos personagens através dos restos mortais de uma mulher, as panorâmicas (tanto horizontal quanto vertical) que acentuam a dinâmica de uma família ou de um grupo, os close-ups que aumentam a sensação claustrofóbica, além das escolhas de sons e iluminação para emular demências, deficiências, e o horror vivenciado por aquelas pessoas.

Mas o mais interessante é a forma pela qual o vilão desse filme é construído – ou melhor, os vilões, já que todos os personagens revelam, em algum grau, características antagônicas. Isso também demonstra como as inúmeras facetas do ser humano nos transformam em vilões e heróis ao mesmo tempo, como por exemplo, o médico que salva e que tira vidas.

Evidentemente, há um vilão maior nesta história que só se deixa revelar nos minutos finais do filme e que nos revela um lado bem sombrio da indústria farmacêutica e dos laboratórios no sentido de como eles também podem ser igualmente manipuladores da nossa vida. Sem contar a maravilhosa cameo do diretor que brinca com o destino dos demais personagens – assim como ele faz em seus filmes (muito ironicamente).

O que também realmente é muito agradável de presenciar é a dinâmica central – fio condutor da narrativa – que é representada pela família da Prisca (Krieps) e Guy (Bernal), a qual é excelente e nos traz muitas camadas de quem esse casal é. Por outro lado, o filme peca em outros sentidos, principalmente a maneira como o final é desenvolvido. Além dos clichês e de situações um tanto forçadas, outros atores não nos entregam uma atuação tão convincente ou mesmo satisfatória, muitas vezes por uma culpa de um roteiro raso que não nos oferece um olhar muito profundo no caráter de cada um deles.

Por fim, sendo um filme tão surrealista e distópico em alguns aspectos, é uma pena que Shyamalan tenha se esforçado tanto para justificar e dar um sentido racional aquele fenômeno. O resultado disso apaga o brilho que este longa realmente poderia ter.

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