Madonna revelou que sentiu inveja de Kylie Minogue e deixou no ar a possibilidade de ser cabeça de cartaz no festival de Glastonbury, durante uma entrevista abrangente com Graham Norton na BBC One.
A conversa, com cerca de uma hora, centrou-se no novo álbum da cantora, Confessions II, um regresso ao universo da música de dança que marcou o início da sua carreira.
Um regresso às origens na pista de dança
Madonna explicou que o novo disco é profundamente ligado às suas raízes nos clubes de Nova Iorque dos anos 1980.
“Foi assim que comecei. Eu era dançarina. A dança está no meu ADN.”
A artista destacou que a música de dança, para ela, é mais do que entretenimento — é um espaço de comunidade e ligação emocional.
O álbum inclui referências autobiográficas, colaborações familiares e temas mais sombrios, incluindo uma homenagem ao irmão Christopher, falecido em 2024.

Glastonbury em 2027? A sugestão ficou no ar
Um dos momentos mais comentados da entrevista surgiu quando Norton tentou confirmar se Madonna finalmente atuaria em Glastonbury.
A cantora não confirmou diretamente, mas deixou uma resposta sugestiva:
“Talvez no verão aconteça algo maior. Porque é que tenho de dizer tudo?”
A troca de olhares e o tom evasivo alimentaram imediatamente especulações sobre uma possível atuação no Pyramid Stage nos próximos anos.
“Tive inveja de Kylie”: a confissão inesperada
A entrevista contou com uma participação surpresa de Kylie Minogue, que apareceu como empregada de bar durante a conversa.
Foi nesse momento que Madonna fez uma revelação inesperada sobre o passado:
“Eu tive um pouco de inveja de ti.”
Segundo a cantora, a insegurança surgiu em parte por causa da perceção de beleza e também do antigo casamento com Guy Ritchie.
“Achava que nunca seria tão bonita como a Kylie.”
O momento rapidamente se tornou um dos mais virais da entrevista.

A filha e o peso do rótulo “nepo baby”
Madonna também falou sobre a colaboração com a filha, Lourdes “Lola” Leon, que participa pela primeira vez num dueto com a mãe.
A cantora explicou que a filha sempre evitou trabalhar com ela para não ser associada ao privilégio familiar.
Com o tempo, porém, a relação artística tornou-se um processo de cura emocional para ambas.
Canções criadas num instante
Outro destaque foi o relato sobre a criação espontânea de algumas músicas do álbum.
O produtor Stuart Price descreveu momentos em que Madonna improvisou letras e melodias completas num único take, algo que a própria artista comparou a um estado quase de transe criativo.
Danceteria e a Madonna antes da fama
Madonna recordou ainda o início da sua carreira em Nova Iorque, quando frequentava o clube Danceteria.
Apesar de hoje ser um ícone global, a artista confessou que, na altura, sentia-se deslocada:
“Todos eram cool. Eu não era. Era desajeitada e não encaixava.”
Sem dinheiro para roupas elaboradas, começou a criar o seu estilo a partir de peças improvisadas, incluindo as famosas luvas de rede feitas com restos de tecido.
Reconciliação com o irmão antes da sua morte
Num dos momentos mais emocionais da entrevista, Madonna falou sobre o irmão Christopher, com quem teve uma relação difícil durante anos.
Apesar dos conflitos, os dois reconciliaram-se antes da sua morte em 2024.
A cantora revelou que escreveu a música Fragile após uma chamada dele durante uma sessão de estúdio, descrevendo o processo como profundamente catártico:
“É como um exorcismo.”
O desaparecimento do figurino em Coachella
Por fim, Madonna contou um episódio mais leve, mas ainda assim perturbador, relacionado com a sua atuação surpresa em Coachella com Sabrina Carpenter.
Após o espetáculo, parte do seu vestuário desapareceu e nunca foi recuperada.
A artista afirmou que os itens tinham valor histórico e lamentou o desaparecimento, dizendo ter ficado profundamente incomodada.

Uma entrevista entre nostalgia e provocação
Entre confissões pessoais, memórias da juventude e provocações sobre o futuro da sua carreira, Madonna mostrou-se simultaneamente vulnerável e provocadora.
Seja a falar de Kylie Minogue, de Glastonbury ou da sua própria história, a artista continua a dominar a narrativa pop — quatro décadas depois do início da sua carreira.

